O Concelho de Arganil pertence à sub-região do Pinhal Interior Norte, que ocupa 17, 86% (4.161.140Km2 ) do território da Região Centro. A designação Pinhal Interior Norte abrange os concelhos que fazem a transição entre o Litoral e as fronteiras da Região, sendo uma zona de montanha densamente florestada, marcando significativamente a estrutura económica desta área geográfica. Com uma superfície de 332 Km2, compreende 18 freguesias: Anseriz, Arganil, Barril de Alva, Benfeita, Celavisa, Coja, Folques, Moura da Serra, Piódão, Pomares, Pombeiro da Beira, S. Martinho da Cortiça, Sarzedo, Secarias, Teixeira e Vila Cova do Alva.
Aqui se separam as Beiras, num alinhamento serrano - da Lousã até à Estrela.
Á serra fria, alta e nevosa não sobem com frequência os de cá do fundo, para a conhecer. Recebem novas pelo vento que lhes ajoelha o milho e pela água das enxurradas bruscas de Outono. A serra do Açor escolhe os mais fortes, nas temperaturas dos seus cumes que acolhem o ar húmido na sua longa viagem sem barreiras desde o Oceano, elevando o teor de humidade atmosférica e criando um misterioso cenário de névoas. Os seus vales são enormes, profundos, as encostas despidas nos seus cabeços, num oceano interminável...
A água que caí na Serra do Açor, separa-se temporariamente, para ser conduzida pelo Alva ou pelo Ceira, rumo ao reencontro no Mondego. No Ceira, viaja num vale apertado, cultivado aqui e ali em pequenas e estreitas insuas; no Alva, junta-se-lhe a água das Ribeira da Mata - na Várzea de Coja e de Folques - Vale de Arganil, para um caminho pontuado de salgueiros, amieiros e freixos, barbos, enguias e trutas, moinhos, lagares e levadas, que levam água à terra sequiosa, incapaz de a armazenar em quantidades suficientes para que as culturas se desenvolvam.
O Concelho de Arganil estrutura-se, no sentido Norte-Sul, entre os Rios Alva e Ceira, ambos integrados na bacia hidrográfica do Mondego e, no sentido Oeste-Este, entre a Ponte da Mucela e a Serra do Açor. Esta dispersão no espaço define a heterogeneidade da região do ponto de vista natural e humano, conduzindo à existência de duas “sub-regiões”: a correspondente ao vale do Alva, constituída por zonas de pequena e média altitude, não ultrapassando por regra os 400 metros; e a da Serra, situada a Oriente de uma linha traçada a partir de Góis, por Celavisa, Folques, Cerdeira e Anseriz, até Avô.
No sentido Nordeste/Sudoeste, o Concelho de Arganil é dominado pelas Serras do Açor e da Lousã que o atravessam situando-se a uma altitude média de 516m. Genericamente, o relevo é predominantemente montanhoso, o povoamento disperso encontrando-se algumas povoações bastante distantes da sede de concelho. Situado na província da Beira Litoral, tem como delimitações, a Norte, os Concelhos de Penacova, Tábua e Oliveira do Hospital, a Sul, os Concelhos de Góis e Pampilhosa da Serra, a Este, os Concelhos de Seia e Covilhã, e a Oeste, o Concelho de Vila Nova de Poiares.
Em termos geológicos, Arganil assenta sobre um denso depósito argiloso, embora na era ante-câmbrica o solo fosse composto por xistos que surgem nas encostas e pontos altos, como é o caso da Fraga da Pena e do Monte Alto, e no leito do Alva, associados aos grauvaques, laivados de vermelho, como no sopé da Lomba do Canho.
As exposições solares, a altitude, a natureza do substrato e as necessidades hídricas, fazem variar o coberto vegetal na sua estrutura ou composição específicas, mas de uma forma geral, a ocupação primitiva do solo tem um exemplo paradigmático na Mata da Margaraça, assim, no fundo das encostas, o sobreiro (Quercus suber) coexiste com o carvalho-roble (Quercus robur),o castanheiro (Castanea sativa), o medronheiro (Arbutus unedo), o folhado (Viburnum tinus) e loureiro (Laurus nobilis); a meia encosta o sobreiro seria suplantado pelo carvalho-roble, pelo castanheiro, o azereiro (Prunus lusitanica), o ulmeiro (Ulmus minor), o azevinho (Ilex aquifolium) e um ou outro carvalho-negral (Quercus pyrenaica); este último dominante nos cumes da serra, com alguns povoamentos de vidoeiro (Betula celtiberica), urzes, giestas e tojo que pintam a serra na Primavera, de rosa, lilás e amarelo.
Economicamente, a sua agricultura não está desenvolvida nem é suficiente para suportar a população local, pois o clima demasiado rigoroso no Inverno e extremamente seco no Verão, juntamente com as condições acidentadas do terreno, são factores que desfavorecem a sua prática agrícola. Contudo, o milho, a batata, o azeite e o vinho são produtos ainda muito cultivados na região.
Em termos demográficos, e à semelhança de muitos concelhos do interior do País, o concelho de Arganil tem vindo a perder população apresentando uma taxa de crescimento negativa, - 10,2 no período de 1981/1991, estimando-se em 2001, a continuidade deste cenário. Segundo os dados preliminares dos Censos 2001 do INE, existem 13.596 habitantes no concelho de Arganil, o que corresponde a uma densidade populacional de 40.95hab/km2, distribuídos por 8.452 alojamentos.
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