A vila de Montalegre é sede de um concelho transmontano de grande extensão territorial mas relativamente pouco habitado, contando com uma área de 805,8 Km2 e com uma população de 12.374 indivíduos. Segundo os mais recentes indicadores (INE – 2001), o concelho apresenta uma densidade populacional de 15,8 hab/Km2, o saldo demográfico é negativo (-9,8%), o índice de envelhecimento (208,9%) e a taxa de analfabetismo (32,85%) elevados.Montalegre ocupa o coração do planalto Barrosão, com uma área territorial que abrange um conjunto de 35 freguesias e 136 aldeias. Este planalto situa-se a NoroEste do distrito de Vila Real, limitado a Norte pela província da Galiza (Espanha), a Poente pelo município de Terras de Bouro, a Sul pelos municípios de Vieira do Minho e Cabeceiras de Basto, e a Nascente pelos municípios de Boticas e Chaves. Situa-se a 35 Km de Chaves e 90 de Braga, sendo o percurso de e para esta última cidade de uma beleza única, porque a EN 103, contorna a serra da Cabreira com o Gerês a seu lado , avistando os lençóis de água das albufeiras do Alto Cávado e Alto Rabagão.O Barroso está enquadrado no maciço Galaico-Douriense, sendo delimitado pelas serras do Gerês (1.434 m de alt.) a Oeste, do Larouco (1.525 m de alt.) a Nordeste, a Cabreira (1.262 m de alt.) a Sueste, as Alturas (ou Barroso) (1.279 m de alt.) a Sul e o Leiranco (1.156 m de alt.) a Nordeste/sudesteOs mais recentes antepassados, há 3500/4000 anos, manifestaram preocupações com o além da morte, erguendo rudes monumentos funerários como as antas da Mourela e da Veiga ou as cistas da Vila da Ponte. Estes vestígios juntam-se a tantos outros que provam que a área do concelho de Montalegre já era povoada na época dos metais, a fazer fé nesses vestígios que nos chegam da longínqua pré-história.O povoamento deste território foi feito pelos Celtas que erguem castros em número pelo menos igual ao das povoações do concelho. Com a chegada dos romanos, a região é atravessada pela via imperial e suas pontes, altura em que são também romanizados alguns castros. Existiram, nesta região, cidades romanas:Praesidium (em Vila da Ponte, chamada popularmente como Sabaraz) e Caladunum (em Gralhas), das quais há alguns vestígios. Dos Mouros não há indícios documentais que atestem a sua presença, exceptuando a tradição oral que lhes atribui tudo quanto de extraordinário e antiquíssimo existe. Com o nascimento da nacionalidade, D. Afonso Henriques doou porções de terra ou coutos onde floresceram albergarias (Salto), hospitais (Vilar de Perdizes e Dornelas) ou mosteiros (Pitões). Sendo uma zona de fronteira com o reino da Galiza, são erguidos com preocupações defensivas os castelos de Gerês e Piconha e mais tarde do Portelo e de Montalegre. São atribuídos forais a Tourém, provavelmente por D. Sancho I em 1187, como cabeça das Terras da Piconha. Só em 9 Junho de 1273 é que D. Afonso III, em carta de foral, funda a vila de Montalegre e o respectivo alcácer tornando-se cabeça das Terras de Barroso. Este foral é depois confirmado por D. Dinis em 1289, D. Afonso IV em 1340, D. João II em 1491 e D. Manuel em 1515 converte-o em foral novo.Na sequência da Guerra da Independência, no reinado de D. João I, as Terras de Barroso são oferecidas a D. Nuno, Condestável do Reino. As tropas Francesas tiveram problemas de monta com os Barrosões, na Misarela, em 1809. Em 6 de Novembro de 1836, o concelho de Montalegre é dividido criando-se o município de Boticas e perderam-se, para o município de Vieira do Minho, o município de Vilar de Vacas (sediado em Ruivães) e, logo a seguir, o Couto Misto de Santiago de Rubiás – Tourém.A história recente de Montalegre é igual a tantas regiões do interior, marcadas por uma forte emigração, pobreza económica e abandono das actividades económicas tradicionais. O isolamento a que esteve votado durante muitos anos, acaba por se tornar o grande responsável da sua mais valia. O que é muito divulgado é muito destruído. A serra do Gerês tem um comprimento de 35 km entre a Fonte Fria, 3 km a NO de Pitões no concelho de Montalegre, e o Rio Caldo, 5 km a S das Caldas do Gerês; a sua largura máxima é de 18 km; no cume dos Carris a serra atinge 1507 m de altitude, ficando junto da raia de Espanha o pico da Cabreira com 1534 m e o Altar dos Cabrões com 1544 m.Tanto na fauna como na flora, a serra do Gerês é a mais rica de Portugal. A esta riqueza singular alia a amplitude da paisagem e a abundância das águas que alimentam os rios Cávado e Homem. Não admira por isso que o homem
nela tenha deixado sinais da sua presença desde os tempos pré-históricos, reforçando o já notável valor ecológico com valiosos elementos culturais. Daí que tenha sido criado, em 1971, o Parque Nacional da Peneda-Gerês, que abrange a serra do Gerês entre o Cávado e o Lima, e parte da serra da Peneda, constituindo um todo com a área de 71 422 hectares.A história de Montalegre remonta à muitos séculos atrás, sendo a sua fundação datada do Neolítico. Foram muitos os povos que passaram nestas terras, ficando mais ou menos tempo, mas todos deixaram sinais da sua Identidade, e estilo de vida ancestral.
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